A Nutricionista

Carolina Baccei

Bacharel em Nutrição pelo Centro Universitário São Camilo; Especialista em Nutrição Clínica Funcional pela VP consultoria; Formação em Auriculoterapia pela Humaniversidade e Prestadora de Serviços para Rede Record no programa A Fazenda (1ª/2ªe 3ªtemporada)

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16 jun 2011

Informativo sobre o surto causado por E.coli em países da Europa

A Escherichia coli (E.coli)é uma bactéria encontrada naturalmente no intestino de humanos e de animais. A maioria das cepas de E. coli são inofensivas, todavia, alguns podem causar graves doenças transmitidas por alimentos, como é o caso da E. coli enterohemorrágica (EHEC), que produz uma toxina denominada verotoxina ou do tipo Shiga, sendo por isso também chamada de E. coli produtora de verotoxina (VTEC) ou E. coli produtora de toxina Shiga (STEC).
Os principais sintomas da doença provocada pela EHEC são cólicas abdominais severas e diarréia, podendo evoluir para diarréia sanguinolenta. Vômitos e febre também podem ocorrer. O período de incubação, isto é, o tempo entre a transmissão e o início do aparecimento dos sintomas varia de 3 a 8 dias, com média de 3 a 4 dias. A maioria da população se recupera em 10 dias, mas em pessoas mais vulneráveis, a infecção pode agravar-se, levando à Síndrome Hemolítica Urêmica (SHU). A SHU é caracterizada por falência renal aguda, anemia hemolítica e trombocitopenia.
Em 22 de maio de 2011, a Alemanha notificou o Sistema de Alerta Antecipado e Resposta da Comunidade Européia (EWRS) relatando um aumento significativo no número de pacientes com diarréia sanguinolenta causada por STEC e SHU.
A investigação teve início naquele país em 24 de maio e no dia 27 foi emitido o primeiro alerta pela Rede Nacional de Autoridades em Inocuidades de Alimentos (INFOSAN) da qual a Anvisa é o ponto focal. Em 03 de junho, o Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde emitiu atualização dos dados informando um total de 1823 casos notificados na Europa, sendo 552 de SHU (12 casos fatais) e 1115 de EHEC (6 casos fatais). Na Alemanha, há 520 casos de SHU e 1213 de EHEC. Os demais casos foram notificados na Áustria (SHU 0, EHEC 2), Dinamarca( SHU 7, EHEC 7), França (SHU 0, EHEC 6), Holanda (SHU 4, EHEC 4), Noruega (SHU 0, EHEC 1), Espanha (SHU 1, EHEC 0), Suécia(SHU 15, EHEC 28), Suíça (SHU 0, EHEC 2), Reino Unido (SHU2, EHEC 1), República Tcheca (SHU 0, EHEC 1) e Estados Unidos (SHU 2, EHEC 0). A maioria dos casos ocorridos fora da Alemanha, incluindo os dois casos ocorridos nos Estados Unidos, está vinculado a pessoas que estiveram nesse país, especialmente na região norte.
A EHEC possui diversos sorotipos, entre eles, O157:H7, de importante relevância para a saúde pública e O104:H4, um sorotipo raro e que está associado aos casos que vêm ocorrendo na Europa.
A EHEC é transmitida ao homem pelo consumo de alimentos contaminados, principalmente carne e leite crus ou mal-cozidos. O consumo de vegetais contaminados crus também pode ser uma rota de transmissão. Outra possibilidade é a transmissão de pessoa a pessoa, pela via fecal-oral. Um exemplo muito conhecido de surto causado por essa bactéria aconteceu nos Estados Unidos e esteve relacionado ao consumo de hambúrguer mal cozido. No caso do surto da Alemanha, ainda não foi definida a fonte de contaminação. Estudos preliminares realizados pelas autoridades de saúde apontam três alimentos in natura como mais prováveis fontes da contaminação: pepino, tomate e alface.
Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), autoridade que fiscaliza a importação de produtos hortícolas, o Brasil não importa os três alimentos atualmente indicados como mais prováveis fontes de contaminação. Quanto aos alimentos em conserva importados da Europa, deve-se esclarecer que esses alimentos não estão comumente associados a surtos dessa natureza. Isso pode ser explicado porque a produção de hortaliças em conserva, incluindo o pepino, combina duas medidas destinadas ao controle de bactérias e outros microrganismos: a acidificação- por meio da adição de substância ácida ou fermentação- com pasteurização, refrigeração ou adição de conservantes. De toda forma, vários estudos estão sendo realizados na Europa para identificação da fonte de contaminação, levando-se em consideração que esse tipo de bactéria é raro e o perfil da contaminação pode diferir do padrão existente.
Com base nas características atuais desse surto, esclarecemos que, no momento, não serão adotadas medidas restritivas pela Anvisa e que não há motivo de maior preocupação pela população brasileira. A Anvisa avalia atentamente a evolução do surto na Alemanha e em outros países da Europa a fim de garantir uma rápida resposta caso seja necessário.
Recomendamos aos viajantes que estejam se dirigindo à Alemanha, que evitem consumir vegetais crus, em especial, pepinos, tomates e alfaces, até que a origem do surto seja confirmada, e estejam atentos a outras recomendações das autoridades alemãs.
Outras medidas de prevenção envolvem procedimentos de higiene e de Boas Práticas de manipulação de alimentos, como: lavagem adequada das mãos antes de preparar, servir ou tocar os alimentos, após o uso do banheiro, após manipular alimentos crus e após contato com animais. Além disso, pessoas que apresentarem sintomas da doença como diarréia ou vômito não devem manipular alimentos. As frutas e vegetais devem ser lavados adequadamente, especialmente aqueles que forem consumidos crus. Por fim, orientamos que os alimentos sejam cozidos a 70°C, pois este é o único método efetivo para eliminar a EHEC de alimentos contaminados.
Essas recomendações estão resumidas nos 5 pontos- chave para uma alimentação segura e são divulgadas no site da Anvisa: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/cinco_pontos/index.htm. Disponibilizamos ainda um folder para orientar sobre medidas simples que ajudam a evitar doenças transmitidas por alimentos durante viagens, o qual é conhecido como “Guia para uma Alimentação Segura para Viajantes”.
Fonte: RG Nutri

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